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Redução do imposto do álcool não chegou nas bombas em Minas

Enquanto no interior paulista o litro do combustível é vendido a até R$ 0,98, no interior de Minas o consumidor ainda não teve o privilégio

(Jornal da Cidade - Inserida em 19/03/2008 - (15h30)

 
 

Em Ouro Fino o preço do álcool varia de R$ 1,54 a R$ 1,80

O preço do álcool está caindo em todo o país, segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, que acompanha a variação semanal em oito mil postos de combustíveis. A queda é de centavos, mas já faz a diferença na hora de encher o tanque.
Na cidade de Campinas, ao ver o preço na bomba o motorista abre até um sorriso. Na maioria dos postos de combustíveis, o litro é encontrado entre R$0,98 e R$1,20.
Nas usinas, o combustível atingiu o valor mais baixo em três anos - uma consequência da safra recorde da cana-de-açúcar, que produziu 21 bilhões de litros de álcool no país.
Além do excesso de oferta, o volume de negócios no exterior foi menor que o esperado. "Tínhamos um destino de exportação para os Estados Unidos que não se confirmou. Os EUA produziram mais etanol de milho e isso suprimiu um pouco o mercado brasileiro", explica o Sergio Prado, diretor regional da Única - União da Indústria de Cana-de-Açúcar.
Em Minas, o consumidor ainda não teve a mesma sorte que nos outros estados. Em Ouro Fino, por exemplo, o preço do litro de álcool pode ser encontrado entre R$ 1,54 até R$1,80.
No dia 18 de dezembro, o Governo do Estado propôs medidas para a redução de 25% para 12% no ICMS de álcool combustível, na operação entre a usina produtora e o estabelecimento distribuidor. O objetivo é equiparar a carga tributária das usinas mineiras com a de outros Estados no fornecimento às distribuidoras locais.
De acordo com Alberto Decat, Assessor de Comunicação Social da Minaspetro - Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais, a quem a reportagem do JC recorreu para obter informações, "para efeito de Postos Revendedores e de consumidores, a medida não representa absolutamente nada. O ICMS continua com a mesma alíquota (25%) e seguindo o preço de pauta (PMPF - Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final), determinado pela Secretaria de Estado da Fazenda através de ato Cotepe (Confaz/Ministério da Fazenda)".
"Apesar do enorme movimento que já dura alguns anos, liderado pelas usinas, e que conta também com apoio dos postos (Minaspetro), não vejo a possibilidade de que o governo do Estado faça a redução do ICMS em um curto espaço de tempo", diz Decat.
Para ele, dois são os motivos principais "primeiro, porque o ICMS mineiro, ao contrário do que quase todo mundo pensa, não é o maior do país (apenas São Paulo tem alíquota de 12%, enquanto o Pará cobra 30% e Sergipe e Alagoas 27%) - são 19 Estados com a alíquota de 25%. O outro motivo é mais financeiro: o ICMS da gasolina em Minas garante ao Estado uma receita de mais de R$ 300 milhões/mês", explica.
Para Decat, ao incentivar o uso do álcool reduzindo o imposto, o Estado perderia receita com o próprio álcool (ICMS menor) e também com a gasolina (redução do consumo em favor do álcool). E, segundo estes mesmos entendidos - tributaristas - qualquer redução na arrecadação da gasolina (mesmo que seja 10% ou menos) poderia abalar as finanças estaduais.
"Quanto à redução do preço do álcool nas bombas, já verificada em vários Estados (inclusive aqui em Minas) não tem nada a ver com imposto: o motivo é que simplesmente o produto está mais barato nas usinas, e em plena entre-safra. A queda continua, semana a semana, e aos poucos vai sendo repassada aos postos (e destes aos consumidores) - a distribuidora que tem maior estoque vai demorar mais a reduzir seu preço.
O motivo da queda de preços nas usinas, desde dezembro, é o estoque muito grande - a safra no ano passado foi recorde e o consumo interno cresceu consideravelmente, mas as exportações não seguiram o volume esperado. Resultado: se continuarem com grandes estoques as usinas não terão onde estocar a nova safra de cana, que começa a ser esmagada em abril/maio. Daí a necessidade de "desovar" o produto atual e a conseqüente queda nos preços", ressaltou o Assessor de Comunicação Social da Minaspetro.
Por enquanto, o que resta aos proprietários mineiros de veículos a álcool é esperar por possíveis quedas.
 

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