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Malhação do Judas. Quem lembra?

Como em outras cidades brasileiras, tradição vai diminuindo a cada ano

(Jornal da Cidade - Inserida em 27/03/2008 - (14h15)

 
 

Na rua 13 de Maio, o boneco de Judas atraia os olhares das pessoas

Costume trazido pelos portugueses e espanhóis para toda a América Latina, desde os primeiros séculos da colonização européia, a malhação ou queimação do Judas, para alguns pesquisadores, seria um resíduo folclórico transfigurado das perseguições aos judeus que se desencadeou na Idade Média, na época da Inquisição.

 Para outros, o Judas queimado seria uma personalização das forças do mal, vestígio de cultos para obter bom resultados, no início e no fim das colheitas, realizados em várias partes do mundo. Há ainda alguns historiadores que afirmam ser o costume remanescente da festa pagã dos romanos.

Malhar o Judas ainda é uma prática comum no Brasil, apesar do costume estar desaparecendo das grandes cidades, principalmente por falta de local adequado ou pelos perigos que representa. Hoje, a brincadeira está restrita, praticamente, a algumas cidades do interior do Brasil, que continuam preservando a nossa cultura e tradições populares.

A brincadeira acontece na Semana Santa, especificamente no sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes, personagem bíblico que traiu Cristo com um beijo. Bonecos de palha ou de pano, pendurados em postes de iluminação pública, galhos de árvores, porteiras, currais, são rasgados e queimados.

Em Ouro Fino a tradição, embora lembrada por poucos, ainda resiste.

Há aproximadamente 10 anos, os netos de Maria Tereza Maduro, ainda crianças, resolveram se unir e confeccionar o famoso Judas para ser malhado.

“De lá pra cá, todos os anos o boneco é feito e a cada ano a empolgação em confeccioná-lo aumenta. Assim o costume virou tradição na família e todos os anos, muitos parentes e vizinhos se reúnem para ver a malhação do Judas”, diz um dos netos de Terezinha Maduro.   

No Centro da cidade, um grupo de amigos freqüentadores da Sorveteria do Ádio resolveu restituir a tradição e confeccionou um Judas para ser malhado e queimado. Durante a manhã do sábado de aleluia, o boneco chamou a atenção de todos que passam pela rua Treze de Maio, em frente ao estabelecimento.

       

Na rua Joaquim Chavasco, crianças observam a malhação de Judas

 

Pendurado o boneco aguardava a hora de ser malhado

 

 

A cremação faz parte do festejo popular

   

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