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Na rua 13 de Maio, o boneco de Judas atraia os olhares das pessoas |
Costume trazido pelos portugueses
e espanhóis para toda a América Latina, desde os primeiros séculos da
colonização européia, a malhação ou queimação do Judas, para
alguns pesquisadores, seria um resíduo folclórico transfigurado das
perseguições aos judeus que se desencadeou na Idade Média, na época da
Inquisição.
Para outros, o Judas queimado
seria uma personalização das forças do mal, vestígio de cultos para obter
bom resultados, no início e no fim das colheitas, realizados em várias
partes do mundo. Há ainda alguns historiadores que afirmam ser o costume
remanescente da festa pagã dos romanos.
Malhar o Judas ainda é uma prática comum no Brasil, apesar do costume estar
desaparecendo das grandes cidades, principalmente por falta de local
adequado ou pelos perigos que representa. Hoje, a brincadeira está restrita,
praticamente, a algumas cidades do interior do Brasil, que continuam
preservando a nossa cultura e tradições populares.
A brincadeira acontece na Semana
Santa, especificamente no sábado de Aleluia,
simbolizando a morte de
Judas Iscariotes,
personagem bíblico que traiu Cristo com um beijo.
Bonecos de palha ou de pano, pendurados em postes de iluminação pública,
galhos de árvores, porteiras, currais, são rasgados e queimados.
Em Ouro Fino a tradição, embora
lembrada por poucos, ainda resiste.
Há aproximadamente 10 anos, os netos de Maria Tereza Maduro, ainda crianças,
resolveram se unir e confeccionar o famoso Judas para ser malhado.
“De lá pra cá, todos os anos o boneco é feito e a cada ano a empolgação em
confeccioná-lo aumenta. Assim o costume virou tradição na família e todos os
anos, muitos parentes e vizinhos se reúnem para ver a malhação do Judas”,
diz um dos netos de Terezinha Maduro.
No Centro da cidade, um grupo de
amigos freqüentadores da Sorveteria do Ádio resolveu restituir a tradição e
confeccionou um Judas para ser malhado e queimado. Durante a manhã do sábado
de aleluia, o boneco chamou a atenção de todos que passam pela rua Treze de
Maio, em frente ao estabelecimento.
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Na rua Joaquim Chavasco, crianças observam a malhação de Judas |
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Pendurado o boneco aguardava a hora de ser malhado |
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A cremação faz parte do festejo popular |
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