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Psoríase, uma questão de saúde da cabeça aos pés

(Jornal da Cidade - Inserida em 06/03/2008 - (14h31)

A psoríase é uma doença crônica da pele, não contagiosa, conhecida desde a Antiguidade e que pode afetar qualquer parte do corpo, como couro cabeludo, cotovelos, joelhos, mãos, pernas e especialmente os pés. As afecções podem ser descamativas com o aumento excessivo e rápido de células de epiderme. A doença também pode apresentar lesões em forma de vesículas que, às vezes, tem conteúdo seroso ou purulento. Há casos em que a psoríase se manifesta por meio da artrite. Pode ser plantar e afetar dedos e lâminas ungueais. Quando nestas últimas, se caracteriza por erupções múltiplas em uma ou mais unhas. 

A psoríase plantar pode não afetar outras partes do corpo, mas é comum aparecer também nos joelhos, cotovelos e couro cabeludos; é possível o aparecimento de placas eritematosas, hiperqueratose em escamas e fissuras. Há também a psoríase pustulosa, que afeta pés e mãos e pode ser desencadeada por traumatismo, como uma onicocriptose. Pode surgir em qualquer idade e afeta de 1 a 3% da população. O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, afetando especialmente os cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo. Nos casos mais graves, estas lesões podem cobrir extensas áreas do corpo. As unhas são também frequentemente afetadas, com alterações que podem variar entre o quase imperceptível e a sua destruição. 

Cerca de 10% dos doentes desenvolvem artrite psoriática. Esta se traduz por dor e deformidade, por vezes bastante debilitante, de pequenas (mãos e pés) ou grandes (membros e coluna) articulações. A origem da psoríase não está totalmente esclarecida, embora se saiba que é geneticamente determinada e envolva alterações no funcionamento do sistema imunológico, as quais provocam inflamação e aumento da velocidade de renovação das células de epiderme (camada mais superficial da pele). O fato de ser geneticamente determinada não implica que a hereditariedade de pais para filhos seja obrigatória. Contudo, verifica-se uma maior probabilidade de aparecimento da doença em pessoas que tenham familiares portadores da mesma. Uma vez que existem múltiplas doenças cutâneas que também se manifestam com lesões vermelhas e descamativas, eventualmente afetando as localizações típicas da psoríase, o diagnóstico deve ser sempre estabelecido pela observação clínica de um dermatologista. Em alguns casos poderá ser necessária a confirmação com biópsia de pele. 

Existem diversos tipos de psoríase, classificados de acordo com o seu aspecto clínico. Os mais importantes são: psoríase em placas ou vulgar, gutata, inversa, eritrodérmica ou psoríase com pústulas. Embora não exista ainda a cura definitiva, pode haver grandes períodos de melhora e desaparecimento do quadro clínico, o qual ressurge em momentos de estresse. O tratamento é feito pelo podólogo, profissional especializado em doenças cutâneas, especialmente dos pés, e varia de acordo com o tipo de psoríase diagnosticada pelo dermatologista.

 

Maria Suely da Cunha Guedes Lima – podóloga de Ouro Fino/MG

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