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Investigação no gabinete da Assembléia

(Jornal da Cidade - Inserida em 10/04/2008 - (13h28)

 
 

Observados por seguranças do Legislativo estadual, federais fazem buscas em gabinete de deputado

A Polícia Federal prendeu na madrugada de ontem, durante a Operação Pasárgada, Jacó Soares, supervisor de gabinete do deputado estadual Dalmo Ribeiro (PSDB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Durante quatro horas, agentes da PF estiveram no gabinete do parlamentar, examinando documentos do funcionário. Duas agendas pessoais de Jacó foram apreendidas.
O trabalho foi acompanhado por Ribeiro, que disse ter sido surpreendido com o caso e negou conhecimento de qualquer atividade irregular do funcionário. Evitando informar quem indicou ao seu gabinete o investigado, que é advogado e lá trabalha há nove anos, o deputado salientou não pretender tomar qualquer medida administrativa contra Jacó, antes da completa apuração dos fatos. “Preciso avaliar. Não conheço o contraditório. Aqui, ele sempre se portou como uma pessoa correta e inteligente”, acrescentou, informando que o expediente do assessor é das 8h30 às 18h.
Ao chegar às 7h à Assembléia, Ribeiro foi informado pelos seguranças da Casa de que a Polícia Federal tinha mandado para busca e apreensão em seu gabinete. Os seguranças acionaram o presidente em exercício do Legislativo, deputado Doutor Vianna (DEM), que viajava ao Sul de Minas. Pelo regimento interno, apesar do mandado judicial, o presidente tem de permitir a entrada da polícia. Depois de telefonar a Ribeiro, que já estava na Assembléia, Doutor Vianna formalizou a autorização. “Dalmo Ribeiro disse que não tinha nada a temer e ele próprio abriu seu gabinete. Nós queremos contribuir com o trabalho da Polícia Federal. Não poderia deixar de autorizar o cumprimento do mandato”, informou Doutor Vianna.
Em entrevista coletiva depois da busca da PF, Ribeiro procurou se desvincular do fato, negando ter conhecimento das atividades de seu assessor relacionadas à investigação. E sustentou: “No início da operação, fui informado de que a investigação está concentrada no assessor Jacó. Facilitei como pude o trabalho dos agentes da Polícia Federal”. Segundo o deputado, os agentes chegaram com um computador e uma pasta de documentos e deixaram o local com duas agendas de Jacó. “Eles nada encontraram aqui. Examinaram todos os papéis. Eu fiz questão de indicar onde Jacó trabalha”, disse.
O assessor trabalha com Ribeiro desde 1997. Começou como atendente da gabinete. Ao longo dos anos, foi promovido. Antes de ser contratado pelo parlamentar, Jacó foi secretário de gabinete do ex-deputado estadual Raul Lima Neto, já falecido.

 

Renato Weil/EM-Porltal UAI

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