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Máfia liberou R$ 30 mi em quatro horas

Juiz Weliton Militão teria, de acordo com a polícia, agido em prol do bando

(Jornal da Cidade - Inserida em 17/04/2008 - (15h06)

Desde o último domingo, o jornal O TEMPO, da capital mineira, vem mostrando, com exclusividade, o funcionamento do esquema que teria desviado R$ 200 milhões dos cofres da União, e que foi desarticulado pela operação Pasárgada, da Polícia Federal. Na edição de ontem, a reportagem mostrou, com base em documentos sigilosos que embasaram a prisão dos acusados, que dois magistrados de Belo Horizonte teriam recebido favores de membros da quadrilha.
Hoje, "
O TEMPO" revelou o que estaria, segundo a PF, por trás desses favores. Os juízes Weliton Militão dos Santos, da 12ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais, e Ângela Maria Catão Alves, da 11ª Vara, estariam beneficiando o esquema em decisões judiciais. Ambos estão sendo investigados pela Polícia Federal, sendo que o primeiro chegou, inclusive, a ser preso, na última semana, durante a operação. Em relação a Ângela Catão, a Justiça Federal recusou o pedido de prisão por falta de elementos conclusivos.
A PF acusa o juiz de contrariar o Código de Processo Civil, quando Militão "teria determinado a distribuição por dependência do processo (...) a fim de devolver aos cofres da Prefeitura de Juiz de Fora, cerca de R$ 30 milhões, recebidos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), bloqueados pelo INSS."
A Polícia Federal relata que a ação teve "a petição apresentada, protocolada, distribuída, remetida, recebida em secretaria, recebida pelo diretor de secretaria, decisão com liminar deferida, citação entregue ao advogado em apenas quatro horas", impedindo que a União tentasse impedir a liberação.
Consta nos documentos sigilosos da investigação, que o juiz Weliton Militão teria, ainda, "articulado a estratégia que levaria ao resultado do julgamento de cassação do prefeito de Timóteo (Geraldo Nascimento, também detido durante a operação) a uma decisão favorável aos interesses da organização criminosa". De acordo com dados do inquérito, "em 16/10/2007, o titular da 12ª Vara, que já foi membro da corte eleitoral, teria convocado Paulo Cruz (lobista apontado como chefe do esquema) para uma reunião em seu gabinete, na sede da Justiça Federal, na qual teria dado consultoria sobre o caso envolvendo Geraldo Nascimento de Oliveira".
Outro caso que a PF cita no inquérito é quando Weliton Militão "teria tomado uma série de medidas visando ‘proteger’ o dinheiro reivindicado por Fabrício (Alves Quirino, advogado e sócio do lobista Paulo Cruz)" contra uma construtora de Belo Horizonte. O valor seria de R$ 1 milhão.
Segundo a PF, o juiz teria "retido o dinheiro, colocando-o à sua disposição enquanto Fabrício aguardava decisão favorável na esfera estadual. Quando esta ocorreu, teria despachado determinando o encerramento da ação, tornando o dinheiro disponível".
As investigações mostram, no entanto, que "os planos de liberação na Justiça Estadual foram frustrados". Militão teria, então, "deferido nova decisão, permitindo a retomada do processo encerrado, permanecendo o mesmo vinculado à sua Vara".

 

A reportagem é de EZEQUIEL FAGUNDES E RICARDO CORRÊA, do O Tempo

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