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Com 10 metros de altura o monumento ao "Menino da Porteira" recebe os
visitantes de braço aberto, no trevo principal da entrada de Ouro Fino
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Resgatando memórias e estabelecendo verdades, o jornal Ouro Fino & Cia, em
30 de julho de 1998, investigou e procurou saber mais sobre a vida de Diogo
Mulero, o conhecido Palmeira como era chamado no meio artístico.
Cantor, compositor e posteriormente diretor artístico sertanejo de uma das
maiores gravadoras dos anos 50 a Chantecler, Palmeira revelou inúmeros
artistas, entre eles, Irmãs Galvão, Rolando Boldrim, Francisco Petrônio,
entre outros.
Naquela edição o diretor de redação do Ouro Fino & Cia, Dorival Junior e o
repórter André Assis trouxeram à tona os depoimentos de Mário Zan e Jairo de
Almeida Rodrigues, parceiros e amigos particulares de Diogo.
Confira a matéria escrita por André Assis.
Parceiros de Diogo Mulero confirmam a origem do Menino da Porteira
Mário
Zan e Jairo Rodrigues contam um pedaço da história da música sertaneja e de
Ouro Fino
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Mário Zan e o diretor do Jornal da Cidade, em São Paulo, após entrevista
exclusiva concedida ao JC em Julho de 1988 |
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Jairo de Almeida Rodrigues: convivência intensa com Diogo Mulero |
André Assis - São Paulo, 1998
Ironia: É dentro de um escritório no centro de São Paulo que reside a
resposta para aquela que talvez a esfinge, o grande enigma de nossa cidade:
a estrada de Ouro Fino em que era visto a Menino da Porteira era esta? A
origem do Menino da Porteira está aqui?
Resposta: sim. A Ouro Fino da música é mesmo a sul-mineira, a nossa. A
confirmação está nos depoimentos daqueles que, há cerca de 5 décadas,
acompanharam a carreira de Diogo Muleiro. Seu nome está de certa maneira,
conservando para a posteridade em nossa cidade. Há, no bairro Cata, uma rua
com seu nome. Diogo Mulero, entretanto, era o nome pelo qual ele era menos
divulgado. Na verdade, ele ficou nacionalmente conhecido como Palmeira, o
primeiro intérprete de Menino da Porteira e outras canções famosas nos anos
40 e 50, como Boneca Cobiçada, Disco Voador, Couro de Boi entre outras
inúmeras canções.
E não era para menos. “Palmeira era um gênio escondido” sentencia o
sanfoneiro, hoje empresário. Mário Zan. Instalado em seu confortável
escritório no Largo do Arouche, bairro central de São Paulo, Zan dirige hoje
a gravadora Laser. Sua origem italiana é identificável através de um sotaque
que ele ainda carrega, ao pronunciar palavras como “bombom”. Nascido na
Itália, mas morando no Brasil desde os 4 anos de idade, ele não esquece dos
primeiros tempos “o Palmeira estava precisando de um sanfoneiro, e eu tocava
sanfona como solista. Nós começamos aqui em São Paulo, devagarinho”
relembra. Note-se que boa parte das músicas hoje tocadas nas festas juninas
foram compostas por Zan. A repercussão de sua obra era grande na época,
dentro dos limites impostos pelos meios de comunicação ainda incipientes. O
Brasil estava ainda descobrindo o rádio, e nem imaginava que em breve a
televisão chegaria para acrescentar ao som a imagem. Uma revolução.
A música Menino da Porteira foi composta em 1954 pela dupla Teddy Vieira e
Luizinho. O primeiro, natural de Itapetininga-SP, casou-se na cidade de
Andradas onde passou a morar. Já o segundo, além de ter composto a canção,
também foi o parceiro de Palmeira naquela primeira gravação. Embora não
tenha tido muito sucesso, a primeira gravação abriu o caminho para que
outros intérpretes imortalizassem a figura do “Menino”.
A “explosão” nos veículos de comunicação de massa, porém, só veio a
acontecer mesmo em 1977, quando Sérgio Reis gravou o Menino da Porteira, que
também foi tema de um filme com o mesmo nome. O filme foi, para os padrões
de época, uma super produção. Ao contrário de algumas versões (tem até
aquela que diz que o filme foi rodado na Ouro Fino de Goiás), as filmagens
foram feitas nas cidades de Borborema e Tabatinga, no interior de São Paulo.
Além de Sérgio Reis que faz o papel de um peão de boiadeiro, enquanto
interpreta canções que mais tarde foram lançadas em disco, o elenco também
contou com Jofre Soares, Maria Vianna, Jorge Karam, Davis Neto, Bentinho, Zé
Coqueiro e Márcio Costa, garoto que encarnou o Menino da Porteira. Além
destes uma equipe de mais de cem pessoas também participaram das gravações
do filme.
O disco vendeu bem, e foi um dos alicerces da música sertaneja que hoje se
faz no Brasil embora tivesse temática rural, o disco já teve sua divulgação
feita em parte pela grande mídia, num embrião do que hoje fazem, em larga
escala, Chitãozinho e Chororó, Zezé di Camargo e Luciano a então dupla
Leandro e Leonardo.
Nota: Mário Zan faleceu em São Paulo, no dia 08 de novembro de 2006.
CAIPIRAS DO
ASFALTO
Mas nem tudo foram rosas na história daquela canção. Zan é incisivo: “Sérgio
Reis não queria gravar o Menino da Porteira, achava caipira”, diz. Zan
afirma que foi seu filho quem o convenceu a adotar o estilo sertanejo.
Ressabiado, fala daqueles que ele classifica como “caipiras de asfalto”. “Os
bobos do asfalto chegam na roça, olham prá laranja e perguntam: o que é esse
negócio redondo ai? Eles não sabem” atesta.
Outro que tem histórias de Diogo Mulero para contar é o empresário Jairo de
Almeida Rodrigues. Aos 80 anos “caipira” de Jundiaí, como ele mesmo se
define, Rodrigues dirige sua própria gravadora, também no centro da capital
paulista. “Nós estamos falando da Ouro Fino do Sul de Minas. Lá é que
aconteceu tudo isso”. A primeira gravação do Menino da Porteira foi feita
por um oriundo de Ouro Fino” confirma, colocando ponto final na
especulações. “O Teddy Vieira tinha uma grande capacidade de registrar
acontecimentos no interior” fala, convicto. Jairo teve, juntamente com
Palmeira um papel de destaque na história da indústria fonográfica
brasileira. Eles foram dois dos fundadores da gravadora Chantecler, que
chegou na época a ser a maior do País.
Essa é apenas uma parte da história de Diogo Mulero. Naquele Brasil da
década de 40, ele representou para a música popular o que talvez representem
hoje os mais conhecidos compositores. Com um adicional extra: foi um dos
pioneiros da música sertaneja no Brasil. Ou, como diz seu companheiro Mário
Zan, música caipira. E o que veio depois é história.
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