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Polícia Federal prende 12 prefeitos mineiros

Detidos teriam liberado verbas irregulares. Entre suspeitos também há advogados, juiz e um assessor do deputado estadual Dalmo Ribeiro Silva

(com informações de Ivan Satuf - Portal Uai - Inserida em 09/04/2008 - (16h45)

Doze prefeitos mineiros e um magistrado da Justiça Federal em Belo Horizonte foram presos na manhã desta quarta-feira em uma megaoperação da Polícia Federal. Eles são suspeitos de participar de fraudes na liberação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Os prejuízos aos cofres públicos chegam a R$ 200 milhões. Até o final da manhã, 48 pessoas haviam sido presas na Operação Pasárgada, que cumpriu 100 mandados de busca e apreensão e outros 53 de prisão em Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
 Segundo as investigações, dois lobistas
 
procuravam as prefeituras para oferecer o esquema ilegal. “Eles já ofereciam os ‘pacotes  

Policiais apreendem documentos no escritório de Fabrício Quirino Advogados e Consultores Reunidos. (Foto Portal Uai)

completos’. Estes pacotes continham decisões liminares expedidos pelo juiz Wellington Militão para liberar recursos do FPM que não poderiam chegar aos cofres das prefeituras”, diz o superintendente regional da PF em Minas, delegado Marcos David Salem.
Em Minas, foram presos os prefeitos de Juiz de Fora, Timóteo, Vespasiano, Rubim, Almenara, Medina, Minas Novas, Cachoeira da Prata, Conselheiros Lafaiete e Divinópolis, Ervália e Salto da Divisa. Os prefeitos das cidades de Itabela e Sobradinho, na Bahia, também foram detidos.
Até o final da manhã, também haviam sido presos quatro servidores federais, dois lobistas, quatro procuradores municipais, nove advogados, um gerente da Caixa Econômica Federal, que servia de elo entre os lobistas e as prefeituras e o assessor parlamentar do deputado estadual Dalmo Ribeiro Silva,
Jacó Souza Soares .
“Foi a operação mais difícil que nós já fizemos. Contamos com 500 policiais e o risco de vazamento de informação era muito grande”, diz o delegado Regional de Combate ao Crime, Alessandro Moretti. Diversos bens dos suspeitos foram apreendidos ou seqüestrados, como carros, dinheiro e apartamentos.

O esquema

Segundo a Polícia Federal, 6% dos recursos do FPM são retidos para pagamento de dívidas de municípios em débito com o INSS, mas o dinheiro era liberado ilegalmente. Os lobistas procuravam as prefeituras para propor a liberação do dinheiro retido e depois acionavam escritórios de advocacia que mediavam a negociação com o juiz.
O magistrado expedia a liminar que garante os repasses. Em troca, o magistrado recebia parte dos honorários dos advogados e outros “benefícios”, como contrato de shows de uma dupla sertaneja agenciada por ele.
O coordenador da operação, Mário Alexandre Veloso Aguiar, afirma que o INSS é apenas “vítima” da quadrilha. “O esquema ilegal era realizado há pelo menos três anos”, afirma.

Crimes

Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, exploração de prestígio, fraude a licitação, quebra de sigilo de dados e lavagem de dinheiro. As penas podem chegar a vinte anos de prisão.

(Colaboraram Elaine Resende e Rafael Passos/Portal Uai; Luiz Ribeiro/Estado de Minas; Karina Novy/TV Alterosa)


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