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"A disputa eleitoral não se dará entre o ruim e o pior", diz Paulo César Araújo

Em entrevista ao JC, o pré-candidato a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores defende a renovação política e um plano de desenvolvimento para Ouro Fino

(Jornal da Cidade - Inserida em 18/04/2008 - (14h52)

 
 

Deputado Federal Odair Cunha, Paulo César Araújo e José Múcio, Ministro de Relações Institucionais em audiência no Palácio do Planalto

O pré-candidato do  PT, Paulo César Araújo da Silva tentará pela terceira vez concorrer a um cargo público. Na sua primeira investida em eleição em Ouro Fino, em 2000, concorreu ao cargo de vereador e na outra realizada em 2004 tentou para o cargo de prefeito, ficando na segunda colocação.   

Amparado pelo seu desempenho na última eleição e estimulado por seus eleitores, amigos e companheiros de partido, foi lançado oficialmente pré-candidato a prefeito para as eleições de 2008 pelo PT. O partido abriu mão de indicar o candidato à vice-prefeito e está em negociação com outros partidos para compor uma aliança em torno de um programa de governo que promova o desenvolvimento sustentável de Ouro Fino e acabe de vez com o nepotismo na Prefeitura. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ele fala da sua pré-candidatura. 

Confira a entrevista

Jornal da Cidade - Em ato político realizado na Câmara Municipal, em fevereiro passado, você foi lançado oficialmente pré-candidato a prefeito. Por que quer concorrer ao cargo?

Paulo César - Porque tenho um compromisso com os meus eleitores e com a população de  promover o desenvolvimento sustentável de Ouro Fino. Nossa pré-candidatura, não é um desejo pessoal, mas um projeto coletivo, uma vontade da população  que quer  mudança. Uma população que não aceita mais ser governada com mentalidade do século 20, mas com a mentalidade do século 21.  Onde a sustentabilidade econômica, social e ambiental é o novo paradigma da humanidade. A nossa pré-candidatura está sintonizada com o desejo coletivo de que uma outra Ouro Fino é possível.

O nosso nome está a serviço do projeto de governar a cidade com outros valores: democracia, participação e solidariedade com aqueles que mais precisam dos serviços públicos, os mais pobres. Aliado a isso, todos sabem que o município, para realizar obras de infra-estrutura, depende muito do  Governo  Federal. Somos a força política no município que defende o Governo do Presidente Lula, que vem recebendo ampla aprovação popular. O apoio do deputado federal Odair Cunha da base de apoio do governo federal, a nossa bancada de deputados estaduais, me dá a segurança que necessito para poder canalizar mais  recursos para Ouro Fino. A titulo de informação, recentemente, estive no Palácio do Planalto em Brasília, onde conseguimos R$ 100 mil  para a conclusão da sede da Congada Serena São Benedito.

 JC - Comentários pela cidade diziam que seu nome estava cotado para ser candidato a vereador, pois assim haveria a possibilidade de angariar um maior números de votos e ampliar a bancada do PT na Câmara. Você teve este pensamento antes ou o fato não passou de um boato?

Paulo César - Ainda que tivesse pensado em ser candidato a vereador, o que nunca houve, eu não teria a aprovação dos meus eleitores, eles não concordariam. Em nossa última campanha para prefeito, despertamos um desejo de ver implantado na cidade políticas públicas como o orçamento participativo, a geração de empregos, o fim do nepotismo, a coleta seletiva de lixo, uma política para a saúde, entre outras propostas que só são possíveis de ser concretizadas, exercendo o cargo executivo. Embora o poder legislativo também precise ser renovado, os meus eleitores e companheiros de partido me confiam a missão de melhor servir Ouro Fino como prefeito. Assim, vejo isso como um boato dos meus adversários, que vão fazer de tudo para me ter fora da disputa eleitoral, pois sabem que a nossa candidatura é que fará a diferença nestas eleições.  

JC - O PT de Ouro Fino vem fazendo contatos com dirigentes de outros partidos em busca de coligações. O partido tem avançado neste sentido, visto que, na última eleição, o PT não efetuou coligações. Quais os partidos que estão em conversação com o PT?

Paulo César - O PT sempre procurou fazer alianças com outros partidos, já disputamos uma eleição coligados com o PMDB. Mas infelizmente partido político aqui em Ouro Fino não é coisa séria. Veja, o ex-prefeito Baratão é filiado no PV, a mulher dele Angela Buti  é a presidente do PTN, e a irmã dele Célia Buti, por sua vez, é presidente do PP, sem falar que seus ex-assessores estão distribuídos em outros três ou  quatros partidos, com o detalhe de que estes partidos têm ideologias antagônicas entre si que vão da esquerda à extrema direita. Das duas, uma: ou isso é uma esperteza eleitoral, ou é incompetência do ex-prefeito que se mostra incapaz de liderar a própria família.  Isso é uma imoralidade que a Justiça Eleitoral deveria proibir. Mostra que este pré-candidato não tem um programa e muito menos fidelidade partidária. Ao distribuir os seus parentes e assessores em vários partidos, mostra um flagrante desrespeito à Justiça Eleitoral, que, por sinal, tem cassado políticos por infidelidade partidária. Um candidato que se vale deste artifício vergonhoso para vencer uma eleição a qualquer preço, falta com a ética e sinaliza que não tem boas intenções. A nossa esperança é que o eleitor perceba o oportunismo que está por trás dessa estratégia. Caso o ex-prefeito seja eleito, ele irá lotear os cargos da prefeitura entre os partidos que o ajudaram a se eleger. E quem são os presidentes desses partidos? Ora, os seus parentes. Então, diante deste cenário, sobram poucos partidos com os quais o PT poderá se coligar, já que a maioria deles é de fachada e está sob a influência do ex ou do atual prefeito. Assim, as negociações estão se dando entre poucos partidos: PPS, PHS, PR e PSDB.

JC - Como você analisa o cenário político atual da cidade?

Paulo César - Vejo o cenário político como promissor para fazermos uma renovação na política de Ouro Fino. O voto do eleitor nesta eleição não ficará entre a escolha do ruim, que seria o de manter o atual prefeito, que foi eleito com um discurso de mudança e não mudou, frustrando seus eleitores, ou a escolha do pior que seria volta do ex-prefeito, que deixou a prefeitura quebrada e com o salário do funcionalismo atrasado. Por isso, estou otimista, acredito que nesta eleição o eleitor dará um voto de renovação na política. Estamos trabalhando para aglutinar forças políticas que desejam dar uma opção melhor para o eleitor, em torno não só de um nome para prefeito, mas, sobretudo em torno de um programa de governo que promova o desenvolvimento sustentável de Ouro Fino. Nesse sentido, estamos consultando a população para a elaboração do nosso Programa de Governo Participativo. Penso que haja hoje uma disposição do eleitor de refletir muito antes de dar o seu voto, vamos ter um eleitor muito mais consciente. Enganam-se aqueles que acham que já estão eleitos, antes mesmo do eleitor votar. Tenho conhecimento de que tem pré-candidato já prometendo emprego na prefeitura. É pré-candidato que está contando com a falta de memória do eleitor, com a impunidade dos seus desmandos com o dinheiro público ou executando obras de fim de governo. Não existe eleição ganha e nem perdida antes do eleitor votar. Por isso, vamos lutar com todas as nossas forças para que o eleitor renove a política de Ouro Fino.

 JC - Esta é a sua terceira tentativa de concorrer às eleições em Ouro Fino. Na sua opinião, o que faltou nesta administração e na anterior?

Paulo César - Sim, na primeira vez que disputei uma eleição foi ao cargo de vereador, e embora individualmente tenha sido muito bem votado, nossa chapa não atingiu o coeficiente eleitoral.

Sobre o que faltou na atual administração, posso dizer que faltou ela ser diferente da anterior, especialmente na forma de governar: autoritária e centralizadora. Hoje quem mais faz oposição à atual administração são as pessoas que apoiaram a eleição do atual prefeito, que se sentiram traídas e enganadas por ele, que depois de eleito esqueceu seus compromissos. Até no empreguismo de parente e obras em fim de governo para ganhar a eleição, esta administração é igual a anterior. Quanto à administração anterior, ela foi pior, pois ao final de oito anos entregou uma administração quebrada, com uma prefeitura endividada  e com o funcionalismo em greve para receber salários atrasados, algo inédito em Ouro Fino. Foi tão pior que o pagamento do funcionalismo em dia virou "obra de governo" neste atual governo, como se isso não fosse uma obrigação do prefeito. Então, ambas as administrações são as duas faces de uma mesma moeda, são irmãs siamesas, que se igualaram ao perderam a oportunidade de promover o desenvolvimento de Ouro Fino, mesmo com o bom momento econômico que país vive nestes últimos cinco anos.

JC - Na sua visão política o que Ouro Fino mais precisa?     

Paulo César - Primeiro Ouro Fino precisa mudar a forma como se faz política. Romper com a perseguição política, onde o prefeito que ganha persegue o que perde, onde o prefeito que ganha não dá continuidade ao que o outro iniciou, foi assim nas duas últimas administrações. Essa é primeira mudança que Ouro Fino precisa. Superar a gestão patrimonialista, onde o prefeito trata o bem público como um patrimônio pessoal seu, em que a coisa pública é para tirar proveito próprio. Onde ocupação dos cargos de confiança se dá não pela competência da pessoa, mas pelos laços sanguíneos e a lealdade cega ao prefeito. Uma regra básica da boa administração é nunca nomear para um cargo público alguém que você não possa demitir depois.

Instalados os valores republicanos na administração municipal, o passo seguinte é Ouro Fino elaborar um plano de desenvolvimento que aponte como ela será no futuro. Um plano com metas, com prazo de execução, um plano que não é de um prefeito, de um governo ou de um partido. Mas um plano de toda a cidade, um pacto das forças políticas e econômicas do município que aponte para o desenvolvimento sustentável de Ouro Fino. Para que o plano tenha credibilidade, é preciso que ele seja formulado de forma participativa, com a participação de todos, não excluindo os adversários, mas buscando o consenso onde todos sejam convidados a serem protagonistas do desenvolvimento de Ouro Fino. Em que os cidadãos possam ser ouvidos, opinar, sugerir e inclusive colaborar na sua implantação do plano. O desenvolvimento local só é possível com a pactuação de todos os ouro-finenses, onde o prefeito é um ator importante no processo de fomentar o desenvolvimento da cidade, mas ele não é o único, ele não pode prescindir do envolvimento e da participação do povo.

Ouro Fino não pode continuar sendo governada sem planejamento. Onde hora um prefeito atua pelo desenvolvimento do turismo, o outro prefeito abandona essa proposta e prioriza a industrialização, como se essas duas atividades fossem antagônicas. Mas ambos esquecem que a agricultura ainda é uma das principais atividades econômicas do município. E ambos não fazem nada para esse setor, sequer distribuem mudas de café aos pequenos agricultores ou mantêm as estradas rurais em condições de uso. A sustentabilidade econômica do município só será possível com a sua diversificação. Ouro Fino precisa ainda  urgentemente de uma Lei de Incentivos Econômicos que assegure incentivos não só  para empresários que vêem de fora  instalar sua indústria na cidade, mas também para o empresário que já está instalado na cidade há anos. Não entendo o motivo da discriminação, pois o empresário já radicado na cidade também precisa de incentivos para crescer. E hoje, se ele bater na porta da prefeitura solicitando um apoio, com certeza, vai receber um não. Por isso, a nossa proposta é criar a Agência de Desenvolvimento Sustentável de Ouro Fino, que funcionará como um banco de fomento do desenvolvimento do município, e o Fundo do Desenvolvimento do Comércio.

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