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Deputado Federal Odair Cunha, Paulo César Araújo e José Múcio, Ministro
de Relações Institucionais em audiência no Palácio do Planalto |
O pré-candidato do PT, Paulo
César Araújo da Silva tentará pela terceira vez concorrer a um cargo
público. Na sua primeira investida em eleição em Ouro Fino, em 2000,
concorreu ao cargo de vereador e na outra realizada em 2004 tentou para o
cargo de prefeito, ficando na segunda colocação.
Amparado pelo seu desempenho
na última eleição e estimulado por seus eleitores, amigos e companheiros de
partido, foi lançado oficialmente pré-candidato a prefeito para as eleições
de 2008 pelo PT. O partido abriu mão de indicar o candidato à vice-prefeito
e está em negociação com outros partidos para compor uma aliança em torno de
um programa de governo que promova o desenvolvimento sustentável de Ouro
Fino e acabe de vez com o nepotismo na Prefeitura. Em entrevista ao Jornal
da Cidade, ele fala da sua pré-candidatura.
Confira a entrevista
Jornal da Cidade
- Em ato político realizado na Câmara Municipal, em fevereiro passado,
você foi lançado oficialmente pré-candidato a prefeito. Por que quer
concorrer ao cargo?
Paulo César
- Porque tenho um compromisso com os meus eleitores e com a população de
promover o desenvolvimento sustentável de Ouro Fino. Nossa pré-candidatura,
não é um desejo pessoal, mas um projeto coletivo, uma vontade da população
que quer mudança. Uma população que não aceita mais ser governada com
mentalidade do século 20, mas com a mentalidade do século 21. Onde a
sustentabilidade econômica, social e ambiental é o novo paradigma da
humanidade. A nossa pré-candidatura está sintonizada com o desejo coletivo
de que uma outra Ouro Fino é possível.
O nosso nome está a serviço
do projeto de governar a cidade com outros valores: democracia, participação
e solidariedade com aqueles que mais precisam dos serviços públicos, os mais
pobres. Aliado a isso, todos sabem que o município, para realizar obras de
infra-estrutura, depende muito do Governo Federal. Somos a força política
no município que defende o Governo do Presidente Lula, que vem recebendo
ampla aprovação popular. O apoio do deputado federal Odair Cunha da base de
apoio do governo federal, a nossa bancada de deputados estaduais, me dá a
segurança que necessito para poder canalizar mais recursos para Ouro Fino.
A titulo de informação, recentemente, estive no Palácio do Planalto em
Brasília, onde conseguimos R$ 100 mil para a conclusão da sede da Congada
Serena São Benedito.
JC -
Comentários pela cidade diziam que seu nome estava cotado para ser candidato
a vereador, pois assim haveria a possibilidade de angariar um maior números
de votos e ampliar a bancada do PT na Câmara. Você teve este pensamento
antes ou o fato não passou de um boato?
Paulo César
- Ainda que tivesse pensado em ser candidato a vereador, o que nunca houve,
eu não teria a aprovação dos meus eleitores, eles não concordariam. Em nossa
última campanha para prefeito, despertamos um desejo de ver implantado na
cidade políticas públicas como o orçamento participativo, a geração de
empregos, o fim do nepotismo, a coleta seletiva de lixo, uma política para a
saúde, entre outras propostas que só são possíveis de ser concretizadas,
exercendo o cargo executivo. Embora o poder legislativo também precise ser
renovado, os meus eleitores e companheiros de partido me confiam a missão de
melhor servir Ouro Fino como prefeito. Assim, vejo isso como um boato dos
meus adversários, que vão fazer de tudo para me ter fora da disputa
eleitoral, pois sabem que a nossa candidatura é que fará a diferença nestas
eleições.
JC
-
O PT de Ouro Fino vem fazendo contatos com dirigentes de outros partidos em
busca de coligações. O partido tem avançado neste sentido, visto que, na
última eleição, o PT não efetuou coligações. Quais os partidos que estão em
conversação com o PT?
Paulo César
- O PT sempre procurou fazer alianças com outros partidos, já disputamos uma
eleição coligados com o PMDB. Mas infelizmente partido político aqui em Ouro
Fino não é coisa séria. Veja, o ex-prefeito Baratão é filiado no PV, a
mulher dele Angela Buti é a presidente do PTN, e a irmã dele Célia Buti,
por sua vez, é presidente do PP, sem falar que seus ex-assessores estão
distribuídos em outros três ou quatros partidos, com o detalhe de que estes
partidos têm ideologias antagônicas entre si que vão da esquerda à extrema
direita. Das duas, uma: ou isso é uma esperteza eleitoral, ou é
incompetência do ex-prefeito que se mostra incapaz de liderar a própria
família. Isso é uma imoralidade que a Justiça Eleitoral deveria proibir.
Mostra que este pré-candidato não tem um programa e muito menos fidelidade
partidária. Ao distribuir os seus parentes e assessores em vários partidos,
mostra um flagrante desrespeito à Justiça Eleitoral, que, por sinal, tem
cassado políticos por infidelidade partidária. Um candidato que se vale
deste artifício vergonhoso para vencer uma eleição a qualquer preço, falta
com a ética e sinaliza que não tem boas intenções. A nossa esperança é que o
eleitor perceba o oportunismo que está por trás dessa estratégia. Caso o
ex-prefeito seja eleito, ele irá lotear os cargos da prefeitura entre os
partidos que o ajudaram a se eleger. E quem são os presidentes desses
partidos? Ora, os seus parentes. Então, diante deste cenário, sobram poucos
partidos com os quais o PT poderá se coligar, já que a maioria deles é de
fachada e está sob a influência do ex ou do atual prefeito. Assim, as
negociações estão se dando entre poucos partidos: PPS, PHS, PR e PSDB.
JC
-
Como você
analisa o cenário político atual da cidade?
Paulo César
- Vejo o cenário político como promissor para fazermos uma renovação na
política de Ouro Fino. O voto do eleitor nesta eleição não ficará entre a
escolha do ruim, que seria o de manter o atual prefeito, que foi eleito com
um discurso de mudança e não mudou, frustrando seus eleitores, ou a escolha
do pior que seria volta do ex-prefeito, que deixou a prefeitura quebrada e
com o salário do funcionalismo atrasado. Por isso, estou otimista, acredito
que nesta eleição o eleitor dará um voto de renovação na política. Estamos
trabalhando para aglutinar forças políticas que desejam dar uma opção melhor
para o eleitor, em torno não só de um nome para prefeito, mas, sobretudo em
torno de um programa de governo que promova o desenvolvimento sustentável de
Ouro Fino. Nesse sentido, estamos consultando a população para a elaboração
do nosso Programa de Governo Participativo. Penso que haja hoje uma
disposição do eleitor de refletir muito antes de dar o seu voto, vamos ter
um eleitor muito mais consciente. Enganam-se aqueles que acham que já estão
eleitos, antes mesmo do eleitor votar. Tenho conhecimento de que tem
pré-candidato já prometendo emprego na prefeitura. É pré-candidato que está
contando com a falta de memória do eleitor, com a impunidade dos seus
desmandos com o dinheiro público ou executando obras de fim de governo. Não
existe eleição ganha e nem perdida antes do eleitor votar. Por isso, vamos
lutar com todas as nossas forças para que o eleitor renove a política de
Ouro Fino.
JC
-
Esta é a sua
terceira tentativa de concorrer às eleições em Ouro Fino. Na sua opinião, o
que faltou nesta administração e na anterior?
Paulo César
- Sim, na primeira vez que disputei uma eleição foi ao cargo de vereador, e
embora individualmente tenha sido muito bem votado, nossa chapa não atingiu
o coeficiente eleitoral.
Sobre o que faltou na atual
administração, posso dizer que faltou ela ser diferente da anterior,
especialmente na forma de governar: autoritária e centralizadora. Hoje quem
mais faz oposição à atual administração são as pessoas que apoiaram a
eleição do atual prefeito, que se sentiram traídas e enganadas por ele, que
depois de eleito esqueceu seus compromissos. Até no empreguismo de parente e
obras em fim de governo para ganhar a eleição, esta administração é igual a
anterior. Quanto à administração anterior, ela foi pior, pois ao final de
oito anos entregou uma administração quebrada, com uma prefeitura
endividada e com o funcionalismo em greve para receber salários atrasados,
algo inédito em Ouro Fino. Foi tão pior que o pagamento do funcionalismo em
dia virou "obra de governo" neste atual governo, como se isso não fosse uma
obrigação do prefeito. Então, ambas as administrações são as duas faces de
uma mesma moeda, são irmãs siamesas, que se igualaram ao perderam a
oportunidade de promover o desenvolvimento de Ouro Fino, mesmo com o bom
momento econômico que país vive nestes últimos cinco anos.
JC
-
Na sua visão política o
que Ouro Fino mais precisa?
Paulo César
- Primeiro Ouro Fino precisa mudar a forma como se faz política. Romper com
a perseguição política, onde o prefeito que ganha persegue o que perde, onde
o prefeito que ganha não dá continuidade ao que o outro iniciou, foi assim
nas duas últimas administrações. Essa é primeira mudança que Ouro Fino
precisa. Superar a gestão patrimonialista, onde o prefeito trata o bem
público como um patrimônio pessoal seu, em que a coisa pública é para tirar
proveito próprio. Onde ocupação dos cargos de confiança se dá não pela
competência da pessoa, mas pelos laços sanguíneos e a lealdade cega ao
prefeito. Uma regra básica da boa administração é nunca nomear para um cargo
público alguém que você não possa demitir depois.
Instalados os valores
republicanos na administração municipal, o passo seguinte é Ouro Fino
elaborar um plano de desenvolvimento que aponte como ela será no futuro. Um
plano com metas, com prazo de execução, um plano que não é de um prefeito,
de um governo ou de um partido. Mas um plano de toda a cidade, um pacto das
forças políticas e econômicas do município que aponte para o desenvolvimento
sustentável de Ouro Fino. Para que o plano tenha credibilidade, é preciso
que ele seja formulado de forma participativa, com a participação de todos,
não excluindo os adversários, mas buscando o consenso onde todos sejam
convidados a serem protagonistas do desenvolvimento de Ouro Fino. Em que os
cidadãos possam ser ouvidos, opinar, sugerir e inclusive colaborar na sua
implantação do plano. O desenvolvimento local só é possível com a pactuação
de todos os ouro-finenses, onde o prefeito é um ator importante no processo
de fomentar o desenvolvimento da cidade, mas ele não é o único, ele não pode
prescindir do envolvimento e da participação do povo.
Ouro Fino não pode
continuar sendo governada sem planejamento. Onde hora um prefeito atua pelo
desenvolvimento do turismo, o outro prefeito abandona essa proposta e
prioriza a industrialização, como se essas duas atividades fossem
antagônicas. Mas ambos esquecem que a agricultura ainda é uma das principais
atividades econômicas do município. E ambos não fazem nada para esse setor,
sequer distribuem mudas de café aos pequenos agricultores ou mantêm as
estradas rurais em condições de uso. A sustentabilidade econômica do
município só será possível com a sua diversificação. Ouro Fino precisa
ainda urgentemente de uma Lei de Incentivos Econômicos que assegure
incentivos não só para empresários que vêem de fora instalar sua indústria
na cidade, mas também para o empresário que já está instalado na cidade há
anos. Não entendo o motivo da discriminação, pois o empresário já radicado
na cidade também precisa de incentivos para crescer. E hoje, se ele bater na
porta da prefeitura solicitando um apoio, com certeza, vai receber um não.
Por isso, a nossa proposta é criar a Agência de Desenvolvimento Sustentável
de Ouro Fino, que funcionará como um banco de fomento do desenvolvimento do
município, e o Fundo do Desenvolvimento do Comércio.
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