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Pouso Alegre: Prepara chá de boldo que o hôme tá de volta

(Jornal da Cidade - Inserida em 17/04/2008 - (15h18)

 
 

Jair Siqueira e sua esposa

A segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou nesta terça-feira, 15, o ato de cassação do então prefeito de Pouso Alegre, Jair Siqueira, reconduzindo-o ao cargo, através de mandado reintegratório, além de tornar sem efeito a liminar que autorizou a realização de eleições indiretas para prefeito de Pouso Alegre.
Segundo os desembargadores, houve vícios nos trabalhos realizados pela Comissão Processante, entre eles, a falta de quórum qualificado para o recebimento da denúncia, ou seja, eram necessários 2/3 de votos dos 11 vereadores, o que não ocorreu.
Outra irregularidade apontada pela defesa de Jair Siqueira foi a participação do presidente da Câmara Municipal que foi o primeiro a votar na sessão de cassação. No entendimento dos magistrados ele só deve se manifestar se houver empate ou para compor quórum.
O relator, desembargador Roney Oliveira, considerou que quem recebe a denúncia, comanda as investigações, deve alegar suspeição para julgar. Assim, não só o presidente da Câmara, como os vereadores que receberam a denúncia ficaram impedidos de votarem na sessão de cassação. O voto do desembargador Roney Oliveira foi acompanhado pelos desembargadores Carreira Machado, Nilson Reis, Brandão Teixeira e Caetano Levi Lopes.
O desembargador Roney Oliveira frisou que não entrou no mérito das acusações, apenas julgou a legalidade, ou não, do procedimento legislativo que culminou com a cassação do prefeito de Pouso Alegre.
André Antunes, que foi o presidente da Comissão Especial de Inquérito que cassou o mandato de Jair Siqueira, disse que respeita a decisão do Tribunal mas sua opinião vai de encontro ao parecer do procurador Arnaldo Gomes Ribeiro, que considerou `inquestionável observância por parte da Câmara de todas as etapas do processo de cassação`. André ainda falou sobre uma Ação Civil Pública por atos de improbidade administrativa contra Jair Siqueira impetrado pelos promotores Marcelo Rutter Salles e Margarida Pereira Alvarenga, lido na última sessão da Câmara. Segundo o vereador, o mandado de citação foi entregue nesta segunda-feira, 14, na Prefeitura e na Câmara Municipal.
O vereador Nelson Pereira Rosa, afirmou que respeita a decisão dos desembargadores, `assim como respeitei o voto da Câmara e o posicionamento da imprensa durante o processo de cassação`. Nelson e Ayrton Zorzi foram os dois votos contrários à cassação. O pastor Ayrton Zorzi se disse emocionado e que a `justiça prevalece sempre`. Os demais vereadores não foram encontrados para comentar o retorno de Jair.
O ex-assessor Aerson Medeiros, autor das denúncias que culminaram na cassação, foi lacônico na sua declaração: `eu já fiz a minha parte`.
Com a casa em festa, Jair Siqueira acompanhou por telefone o julgamento. Sua primeira palavra após saber da recondução ao cargo foi que `prevaleceu a justiça`. `Eu me julguei injustiçado`, confidenciou o prefeito que retorna à Prefeitura nesta quarta-feira, 16, `e fico contente de saber que temos a quem recorrer para buscar nossos direitos`. Jair considerou que parte do secretariado não será o mesmo. `Meus genros não voltarão comigo`, confirmou, `isso já estava decidido antes mesmo do processo por conta de uma recomendação do Ministério Público`. Ele não quis adiantar o secretariado, só revelou que alguns secretários retornarão com ele. `Eu tenho pressa de trabalhar e preciso de pessoas que já conheçam a máquina pública. Tenho muita coisa a fazer e apenas dois meses e meio para realizá-las por causa das eleições`, explicou.
Nos últimos meses, Siqueira peregrinou em busca de apoio e aliados. Humilhado publicamente com a cassação do mandato, Jair foi socorrido por Murilo Maia - que foi seu chefe de Gabinete no primeiro mandato - e colocou em prática uma estratégia para recuperar sua imagem e manter-se em evidência. Durante o período que esteve afastado do cargo, Jair Siqueira explicou as razões que levaram à sua cassação e nega todas as acusações. `Daqui para frente é como se fosse um novo mandato`, comemorou. Siqueira tem mais oito meses de mandato para completar seu mandato.
Geraldo Cunha Filho, por sua vez, também acompanhou o julgamento através dos advogados da Câmara Municipal. Ele volta à presidência da Câmara e diz que continua valendo o que disse no dia de sua posse interina: `eu disse que estaria prefeito por um dia ou por um ano. Não foi fácil governar Pouso Alegre na interinidade, com a incerteza política que foi criada`, ressaltou, `cumpri o dever que me foi imposto no Executivo. Fiz o possível pela cidade durante estes sete meses, com transparência e dignidade`.
Geraldinho reafirmou que não é mais candidato. Segundo ele, está devolvendo a Prefeitura para Jair Siqueira, `enxuta, saneada, com vários projetos em andamento, sem dívidas e com um caixa de 13 milhões de reais`. Cunha dará uma coletiva para relatar tudo o que fez nos últimos meses frente à Prefeitura de Pouso Alegre, dando, inclusive, passos importantes para executar e terminar obras e projetos paralisados há seis, sete anos.
`Exatamente por não ter compromisso político, apenas compromisso com Pouso Alegre, pude dar andamento a inúmeros projetos de interesse da comunidade`, enfatizou Geraldo.

Estiva e São Gonçalo do Sapucaí


Também os prefeitos de Estiva, João Gualberto Rezende Junior e de São Gonçalo do Sapucaí, Akira Yamagushi, foram mantidos no cargo.
A Câmara de Estiva recebeu denúncia de que o prefeito estava oferecendo cargos na prefeitura em troca de apoio político e, por isso, teve seu mandato cassado. O prefeito impetrou o mandado de segurança alegando que a votação de sua cassação foi ilegal, uma vez que era preciso quorum formado por 2/3 dos vereadores e não maioria simples. Os desembargadores entenderam que é realmente necessário o quorum qualificado, ou seja, 2/3 dos votos dos vereadores, o que não ocorreu.
Akira Yamagushi, de São Gonçalo do Sapucaí, conseguiu liminar para permanecer no cargo. Ele teve o mandato cassado pois, segundo os vereadores, o prefeito foi omisso em relação a gastos excessivos com combustível utilizado por carros de transporte escolar da cidade. Todos os vereadores votaram pela cassação.

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