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Receita indica mais prefeitos no esquema

(Jornal da Cidade - Inserida em 17/04/2008 - (15h22)

As investigações da Polícia Federal de Minas, responsável pela Operação Pasárgada, que prendeu prefeitos, advogados e servidores municipais suspeitos de envolvimento no desvio de recursso do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), há uma semana, recebeu importante reforço da Receita Federal.
O fisco federal enviou vasta documentação à PF, assim como a Secretaria da Receita Previdenciária, responsável pela arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social.

O superintendente da PF em Minas, delegado Marcos David Salem, se reuniu com técnicos da Receita para acertar o trabalho em conjunto.
A máfia do FPM, que teria pelo menos 52 pessoas identificadas até agora, foi responsável pelo desvio de mais de R$ 200 milhões dos cofres da União, nos últimos três anos.
Os prefeitos foram detidos quarta-feira passada e ficaram até a noite de sábado em presídios, quando acabaram soltos por ordem da Justiça. Apenas o de Juiz de Fora, Alberto Bejani, continua detido na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, porque, além da suspeita de envolvimento na fraude do FPM, foi preso em flagrante, já que a PF encontrou armas em sua casa.
Além dos 17 prefeitos de Minas e da Bahia que teriam se beneficiado do esquema, vários outros chefes de Executivo estão sendo intimados a prestar depoimento. Somente no Norte de Minas, pelo menos mais 10 estão na mira dos federais, por terem contratado os serviços dos escritórios de advocacia ligados ao grupo, com dispensa de licitação.
Apenas o escritório de advocacia de Valzemir José Duarte, sócio do lobista Paulo Sobrinho Sá Cruz, admite, em documento, ter trabalhado para pelo menos 27 prefeituras em todo o estado, desde 2000. A relação das prefeituras em que atuaram faz parte de um procedimento investigatório criminal (PIC) instaurado pelo Ministério Público Estadual.

Contratos

Pelo pente fino da PF e da Receita estão passando todos os contratos entre as prefeituras e os advogados suspeitos de envolvimento na fraude. Além de Valzemir, atuavam também os escritórios de Fabrício Quirino, Sibele Barony e Wander Brugnara, com ações integradas.
A Polícia Federal verifica também os documentos relativos a processos de licitação e como foram desbloqueados os recursos do FPM, além dos pagamentos aos advogados. “A Polícia Federal está fazendo um trabalho sério, analisando todos os documentos enviados e os apreendidos durante a operação. O material vai confirmar se houve ou não irregularidade em cada umdos municípios sob investigação”, afirmou o chefe da Delegacia de Polícia Federal em Montes Claros, Marcelo Freitas. Ele informou que “a documentação fornecida pela Receita Federal tem sido fundamental para o avanço da apuração”.
Apesar da complexidade das investigações, a Polícia Federal espera concluir nos próximos 30 dias todo o vasto trabalho pode pedir novas prisões. Além advogados, a organização criminosa tinha um importante braço na Justiça Federal. Um dos presos na Operação Pasárgada foi o juiz federal da 12ª Vara Federal, Weliton Militão, que está afastado de suas funções por 29 dias.
O afastamento foi decretado pelo corregedor-geral do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, Jirair Aram Megueriam, que suspendeu também do trabalho o diretor da secretaria Anibal Brasileiro da Costa. Apesar do ausência do juiz, a tramitação dos processos é normal. Ontem, a informação na secretaria era de que o juiz estaria de licença.

O golpe

Um acordo entre cidades que tinham dívidas com o INSS e o governo federal previa que 6% do total do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) deveria ser usado para o pagamento do débito previdenciário. Lobistas procuravam essas prefeituras e ofereciam um pacote de serviços, incluindo decisões judiciais para liberar o valor retido. Eram então contratados, sem licitação, escritórios de advocacia sediados em BH, que entravam com os processos na Justiça. Os processos iam parar sempre nas mãos de um juiz do Tribunal Regional Federal 1ª Região, que recebia vantagens para dar decisões favoráveis às prefeituras. Com as liminares, o dinheiro do FPM era repassado aos municípios e repartido entre prefeitos, servidores, magistrado, advogados e assessores.

 

Fonte: Luiz Ribeiro - Estado de Minas

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