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O processo de maturação exige cuidados especiais, como a
higienização e a viragem diária dos produtos
Crédito Acervo Iphan/Divulgação |
O queijo
artesanal de Minas Gerais é agora patrimônio cultural do Brasil. Em reunião
no Museu de Artes e Ofícios (MAO), em Belo Horizonte, o Conselho Consultivo
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou
ontem, por unanimidade, o registro do modo de fazer o produto, que remonta
aos tempos coloniais e tem suas origens na Serra da Estrela, na Região
Central de Portugal. Com o reconhecimento, que recebeu muitas palmas, com a
platéia e conselheiros de pé, o alimento poderá ganhar, além de visibilidade
internacional, políticas específicas para garantir mais mercado e constante
valorização. “Esta aclamação mostra a importância que o queijo artesanal
tem. Ele agora é um produto cultural brasileiro e ganha, portanto, mais
proteção”, afirmou o presidente do Iphan e do Conselho Consultivo, Luiz
Fernando de Almeida. A decisão será encaminhada para homologação pelo
ministro da Cultura, Gilberto Gil.
De acordo
com o veterinário e professor de história da Universidade Federal de Minas
Gerais José Newton Coelho Meneses, que coordenou a pesquisa e o dossiê
interpretativo sobre o queijo, os principais centros produtores em Minas são
as regiões do Serro (10 municípios), no Vale do Jequitinhonha, com oferta de
2,7 toneladas/ano; o Alto Paranaíba, ou Serra do Salitre (19 municípios),
com 6,4t/ano; e a Serra da Canastra, no Centro-Oeste (7 municípios), com
4,4t/ano.
Ele explicou que os riscos sanitários são mínimos na elaboração do queijo,
que tem cerca de 25 mil produtores no estado. As próximas pesquisas vão
privilegiar as regiões de Araxá, no Alto Paranaíba, o Sul e o Norte
mineiros. “A decisão de hoje é um divisor de águas nos 300 anos de história
do setor”, afirmou.
A luta pelo registro cultural do queijo artesanal, que usa coalho, pingo
(fermento) e leite cru na sua composição, surgiu em 2001 e, no ano seguinte,
ganhou o reconhecimento do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e
Artístico (Iepha/MG). Na época, a elaboração estava ameaçada pelas leis
sanitárias e pela obrigatoriedade de se usar o leite pasteurizado, como faz
a indústria. Isso significaria uma pá de cal na comercialização de um bem
secular e cultural. Com a definição de ontem, os produtores têm sua
auto-estima elevada e acreditam em mais responsabilidade. “É um dia
importante e estamos com boas expectativas, inclusive de vendas”, afirmou a
integrante da Associação dos Amigos do Serro (Aaser) Maria Coeli Simões, que
fez a proposta do registro em 2001, quando presidia a entidade. A iniciativa
contou ainda com a participação da Associação dos Produtores Artesanais de
Queijo do Serro.
Um dos passos importantes, na seqüência, será a adoção de um plano de
salvaguardas, pelo Iphan, para dar melhores condições aos produtores. “Por
meio das nossas regionais, vamos criar oficinas de boas práticas e avaliar
as questões de mercado, preço e linhas de financiamento. O valor cultural
agrega importância ao queijo. Ele é a identidade de Minas”, afirmou a
gerente de Registro do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Ana
Cláudia Lima e Alves.
Antes da decisão final, a conselheira Ângela Gutierrez fez a defesa do
registro como bem imaterial. Ela destacou que o queijo artesanal tem a mesma
importância “das montanhas de Minas, do espírito de liberdade e da
habilidade política”. Ângela afirmou ainda que ele é sinônimo de mesa farta,
da hospitalidade dos mineiros e do esmero na culinária, sendo a
matéria-prima para bolos, broas e biscoitos. “Mais do que um laticínio, é
uma herança cultural, um marco na nossa história”, disse.
Fonte:
Gustavo Werneck/Jornal Estado de Minas |
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