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A Secretaria
de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) pretende realizar
Circuitos de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta em todo o Estado no
próximo ano agrícola. A informação é do secretário-adjunto Paulo Romano.
“Vamos buscar a adesão de produtores rurais, técnicos, profissionais das
áreas de suporte à produção, prefeituras, universidades e instituições de
pesquisas, entre outras”, informa. Segundo Romano, existe interesse especial
em incluir no sistema a agricultura familiar.
O sistema
integrado lavoura, pecuária e floresta permite o consórcio entre a produção
de culturas agrícolas, a criação de animais e o reflorestamento. Existem
alternativas de utilização de três componentes ou apenas de dois, conforme a
situação específica de cada propriedade. O produtor pode escolher a
conjugação da lavoura com pecuária, lavoura com floresta, ou pecuária com
floresta.
Os Circuitos
de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta terão atividades como dias de
campo, palestras sobre os fundamentos do sistema e contatos entre os
representantes dos segmentos. Paulo Romano explica que o modelo a ser
adotado é o do Circuito Zona da Mata de Integração Lavoura, Pecuária e
Floresta, que está sendo realizado até julho dentro de uma programação que
inclui 17 municípios da região, envolvendo mais de 1.300 participantes.
“Neste circuito, a Secretaria da Agricultura e sua vinculada Emater-MG
participam ao lado da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Embrapa,
prefeituras, sindicatos de produtores, cooperativas, indústrias de
fertilizantes, máquinas e representantes do setor sementes”, destaca.
Para Romano,
“o circuito é um processo eficaz de mobilização de comunidades, facilitado
pela presença dos escritórios regionais da Emater-MG”. No caso da Zona da
Mata, o suporte na parte de assistência técnica e extensão é por conta da
unidade de Viçosa. O secretário-adjunto diz que as próximas jornadas, com o
objetivo de aumentar a adesão dos produtores ao sistema de produção
integrada, também estarão ancoradas nos 32 escritórios regionais mantidos
pela Emater.
Alimentos e
energia
O
secretário-adjunto da Agricultura de Minas destaca que os circuitos mostram
a possibilidade de ampliar a oferta de matérias-primas agrícolas,
alimentares e energéticas, com o plantio consorciado na mesma área. “A
produção integrada é um sistema sustentável, pois atende às demandas
ambientais, econômicas e sociais”, acrescenta. “O modelo de consórcio se
ajusta perfeitamente à agricultura de montanha de Minas e especialmente da
Zona da Mata”, explica Paulo Romano. Segundo ele, o Estado saiu na frente
com a proposta de inclusão do segmento de florestas, que é tradicional em
Minas e tem muita representatividade na região.
Entre os
fatores que justificam a adoção do sistema de integração, segundo o
secretário- adjunto, está a conservação do solo e da água, a recuperação das
áreas degradadas, o seqüestro de carbono para reduzir o aquecimento global e
a estabilização da exploração na mesma área. “Este último fator é importante
para reduzir a pressão sobre áreas com vegetação nativa”, assinala.
Romano observa
que “o sistema é recomendável à agricultura familiar, que predomina em todo
o Estado.” Do ponto de vista econômico, a integração amplia a possibilidade
de renda e emprego pelo fortalecimento, sobretudo, do cultivo de milho e da
criação de gado. Além disso, possibilita maior movimentação de recursos com
os produtos florestais.
Ocupação de
áreas degradadas
Minas Gerais
tem cerca de 22,4 milhões de cabeças de gado em 25 milhões de hectares, com
a metade dessa área apresentando algum estágio de degradação. Segundo a
Secretaria da Agricultura, esta área pode ser incorporada às atividades de
plantio e à criação de bovinos. De acordo com o coordenador técnico de
Bovinos da Emater-MG, José Alberto de Ávila Pires, “existe um clima
favorável à adoção do sistema de integração lavoura, pecuária e floresta,
porque o mundo inteiro apela para o aumento da oferta de alimentos e a
preservação ambiental.”
Por isso,
segundo Ávila Pires, o Circuito Zona da Mata de Integração Lavoura, Pecuária
e Floresta foi lançado com sucesso. “O trabalho para disseminação da
produção integrada nessa região é pioneiro e desenvolve-se também na região
Central do Estado, onde a maioria dos 2,3 milhões de hectares de pastagens é
constituída atualmente de áreas degradadas.” Ávila Pires informa que o
aproveitamento da área com plantio de milho na região Central é de apenas
130 mil hectares.
Durante o
lançamento do circuito, no último dia 25 de abril, em Viçosa, os
participantes tiveram a oportunidade de ver uma unidade demonstrativa com
implantação do consórcio de milho (lavoura) com braquiária (pecuária) e
eucalipto (floresta) plantados numa área que anteriormente foi apenas de
pastagem. Na segunda parte do evento, houve palestras e debates, sendo uma
das apresentações feitas pelo secretário-adjunto Paulo Romano. Ele destacou
a importância da inserção do segmento floresta e disse que “o sucesso do
sistema de integração depende principalmente da união dos segmentos ligados
à produção das matérias-primas agrícolas.”
O Circuito da
Zona da Mata de Integração Lavoura, Pecuária e Florestas prossegue com dias
de campo, nesta semana, nos municípios de Dom Silvério, Senador Firmino,
Catas Altas da Noruega e Ponte Nova. A programação será reiniciada em 14 de
maio, seguindo até 14 de julho. |
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