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Montadoras não terão pacote oficial de socorro do governo
federal. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Miguel Jorge, disse ontem que a ajuda ao setor automotivo para enfrentar os
efeitos da turbulência econômica mundial será feita pelo aumento do crédito
ao consumidor. Os bancos das montadoras vão receber R$ 4 bilhões do Banco do
Brasil para financiar a compra de carros, conforme decisão tomada ontem em
reunião no Ministério da Fazenda, informou o ministro Guido Mantega. Com a
verba extra que será distribuída entre este mês e dezembro, as instituições
pretendem voltar a oferecer juros mais baixos e prazos mais longos de
crediário, na tentativa de recuperar as vendas de veículos.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), Jackson Schneider, calcula que a indústria terá fôlego para
irrigar o crediário pelo menos por dois a três meses, quando ele espera que
a crise já tenha dado trégua. Cada instituição negociará o empréstimo
diretamente com o BB, em condições similares às de mercado. Parte da verba
virá dos empréstimos compulsórios retidos pelo banco. Além dessa
alternativa, o BB vai estudar também a possibilidade de comprar as carteiras
de crédito de automóveis dos bancos das montadoras.
Uma das justificativas para restringir o socorro ao aumento do crédito,
segundo o governo, é que as montadoras mantêm os planos de investimento em
meio à crise. A Fiat, por exemplo, garantiu a manutenção do investimento de
R$ 6 bilhões para o Brasil, inclusive para a expansão da produção da fábrica
em Betim, na Grande BH, de 700 mil para 800 mil unidades. “Essa ajuda às
montadoras seria pelo crédito, para se ter um pouco mais de liquidez no
mercado e que os processos de financiamento voltem. Vai ser para o
consumidor. Para a produção não acredito que seja necessário”, afirmou
Miguel Jorge.
A coordenadora-executiva da Fundação João Pinheiro (FJP), Maria Helena
Magnavaca, concorda. “O socorro se faz necessário, mas é preciso atingir
toda a cadeia, do aço ao consumidor. Por isso, a abertura de linhas de
crédito, que levaria à maior liquidez da economia como um todo, poderia ser
a melhor alternativa”, avaliou.
Miguel Jorge disse ainda que a queda registrada pelo setor automotivo em
outubro, a primeira do ano, ocorre diante de um crescimento bastante robusto
no acumulado de 2008. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidos 224,9 mil veículos no país no
mês passado, uma retração de 11,6% sobre setembro e de 3,3% contra outubro
de 2007. No acumulado dos 10 primeiros meses do ano, porém, as vendas ainda
são positivas. Nesse período, as fábricas brasileiras comercializaram 2,32
milhões de unidades, um aumento de 23,1% em relação ao mesmo intervalo do
ano passado. A projeção para o fechamento do ano, de 3 milhões de veículos,
está em revisão.
As duas montadoras instaladas em Minas Gerais – Fiat e Mercedes Benz, em
Juiz de Fora, na Zona da Mata – também tiram o pé do acelerador, mas estão
longe de puxar o freio de mão. A Fiat vendeu 53,4 mil automóveis e
comerciais leves em outubro, montante 11,9% menor que em setembro e 11,5%
inferior ao registrado no mesmo mês de 2007. Contudo, no acumulado ano,
comercializou 574,4 mil veículos, uma expansão de 17,1% contra igual
intervalo do ano passado.
A fábrica juiz-forana da Mercedes Benz, inaugurada em 1998, tem capacidade
de produção de 70 mil unidades ao ano, mas nunca atingiu esse patamar. A
montadora conta hoje com cerca de 1,2 mil funcionários para produzir um
único modelo, o CLC. A empresa não revela o volume da produção e também não
confirma se as férias coletivas de final de ano serão ampliadas, como
aconteceu nas unidades internacionais.
Paola Carvalho – Estado de Minas
(Com
agências)
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