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Maria Tereza/EM/D.A Press - 20/05/04
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Para Petrônio Zica, o ideal para o setor seria a dilatação do prazo de
pagamento combinada com a redução de impostos |
O
governador Aécio Neves anuncia hoje uma série de medidas, sobretudo na área
fiscal e na ampliação de crédito, que pode dar maior fôlego para a economia
mineira atravessar a crise mundial. O presidente da Federação das Indústrias
do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga de Andrade, disse que a
entidade encaminhou na semana passada ao governo um documento com sugestões
e que grande parte das reivindicações deve ser atendida. “Estamos sofrendo
com a retração de crédito. O adiamento no pagamento do ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços), por exemplo, pode dar
mais fôlego às indústrias, principalmente às exportadoras”, afirmou.
O anúncio do governo acontece menos de uma semana depois que o ministro da
Fazenda, Guido Mantega, divulgou ações que, juntas, somaram cerca de R$ 45
bilhões. Entre elas, linhas de crédito para diversos setores via Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil (BB).
O ministro confirmou ainda o adiamento no prazo do pagamento de alguns
tributos, em uma média de 10 dias, para elevar o capital de giro no setor
produtivo, como o Imposto de Produto Industrializado (IPI) e PIS/Cofins.
Para o
presidente do Sindicato da Indústria Mecânica do Estado de Minas Gerais (Sindmec),
o empresário Petrônio Machado Zica, a dilatação no prazo do pagamento de
impostos e a redução deles seriam o ideal para ampliar o fluxo de caixa das
indústrias e garantir um crescimento sustentado. “Além de anunciar novas
medidas, o governador pode revalidar ou prorrogar outras ações adotadas
anteriormente”, ressaltou.
Em dezembro do ano passado, Aécio Neves sancionou parcialmente projeto de
lei que promovia alterações no sistema tributário do estado por meio de
reduções no ICMS de 93 produtos. Entre eles, materiais de construção e de
escritório, produtos hospitalares, energia elétrica para irrigação e
produtos derivados do leite, entre outros. Naquela data, ainda atendeu uma
antiga reivindicação ao reduzir de 25% para 12% o ICMS aplicado sobre o
álcool combustível na operação entre a usina e o distribuidor. Algumas
dessas medidas, válidas até 31 de dezembro deste ano, podem ser prorrogadas.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas
Gerais (Faemg), Roberto Simões, destacou que a “equalização fiscal” seria um
benefício que daria grande fôlego para o setor. “A redução do imposto
resulta em preço mais baixo para a população, que, conseqüentemente,
alavanca o consumo”, afirmou. Por outro lado, frisou que as principais
medidas teriam de ser federais. “A retração de crédito é o principal
problema. Por isso, o ponto principal para nosso setor enfrentar a crise é
renegociar as dívidas rurais”, ponderou Simões.
O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis e de Malhas do Estado de
Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe, chamou a atenção ainda para a
possibilidade de uma atuação mais forte do Banco de Desenvolvimento do
Estado de Minas Gerais (BDMG). “Penso que pode ser ampliada, em caráter
emergencial, a liberação de recursos de fundos estaduais para reforçar os
financiamentos aprovados pelo banco”, observou.
As medidas podem transmitir maior otimismo aos mineiros, na opinião do
vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção
Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Jackson Camara. “Os consumidores estão
assustados, com medo de comprar. Mesmo porque não sabem se terão empregos no
longo prazo. Uma maior segurança para atravessar a crise atinge o mercado
positivamente”, avaliou. Camara ressaltou ainda a importância em se manter
investimentos públicos.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic)
já apontam a desacelaração das vendas externas mineiras. As exportações do
estado em outubro somaram pouco mais de R$ 2 bilhões, contra R$ 2,83 bilhões
registrados em setembro. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico
(Sede) admitiu que o resultado “pode sinalizar inflexão na tendência de
crescimento verificada nos meses anteriores”.
Paola
Carvalho - Estado de Minas |
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