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Prefeituras estão na corda bamba para quitar 13º salário

Pacotes lançados pelos governos federal e estadual dificultam a vida das administrações. Muitas devem ter problemas para efetuar o pagamento do 13º salário aos servidores

(Jornal da Cidade - Inserida em 17/11/2008 - (11h)

    

Prefeita reeleita em Contagem,
Marília Campos (PT)

 

Se os governos federal e estadual não recuarem no pacote de benefícios anunciados ao empresariado, os municípios estarão em dificuldades para pagar fornecedores, o 13º salário aos servidores e para fechar o balanço fiscal das contas de sua gestão, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. O alerta é da prefeita reeleita em Contagem, Marília Campos (PT): “Os prefeitos estão sem dormir. Não é um problema só de Contagem. A maior parte das cidades depende dos repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e prestação de Serviços (ICMS), do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para fazer face aos compromissos financeiros”. Com Marília Campos faz coro o presidente da Associação Mineira dos Municípios, Celso Cotta (PMDB), para quem a prorrogação das datas de recolhimento dos impostos atingirá sobretudo aos 494 municípios mineiros com população de até 10 mil habitantes.

As receitas dessas cidades se resumem quase que exclusivamente às transferências constitucionais do FPM. Em carta encaminhada ontem ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao secretário de Estado da Fazenda, Fuad Norman Filho, Celso Cotta considerou “temerária” a ação a poucos dias do encerramento da gestão dos atuais prefeitos e pleiteou a mudança da prorrogação do prazo para 1º de janeiro. “Esta iniciativa afetará além do fechamento das contas, quando nós prefeitos teremos que fazer a prestação de contas junto aos órgãos fiscalizadores, como também o pagamento do 13º salário dos funcionários; o compromisso com o encerramento de obras em que precisamos deixar os recursos em caixa e, ainda, o pagamento de funcionários nomeados”, assinalou Cotta.

Como forma de enfrentamento da crise internacional, as medidas adotadas pelo governo federal e pelo governo estadual estendendo às empresas o prazo de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do ICMS terão impacto negativo sobre as contas municipais de dezembro. Enquanto o IPI integra a composição do FPM, o ICMS faz parte da cesta de tributos que alimentam o Fundeb. Além disso, um quarto da arrecadação do ICMS é repassado aos municípios. “As transferências do ICMS, do FPM e do Fundeb somam 30% das receitas municipais previstas para dezembro”, afirma Marília Campos, calculando em R$ 15 milhões o “furo” no caixa. Só a folha do décimo-terceiro de Contagem soma R$ 20 milhões. “Posso comprometer o benefício de Natal”, afirma Marília Campos, ainda estudando como vai gerenciar o problema.

Ao dilatar aos empresários em 10 dias o prazo para a quitação dos tributos, as transferências aos municípios não mais serão feitas entre 16 e 20 de dezembro, mas apenas em 30 de janeiro de 2009. “Temos de fechar o exercício no último dia útil do mês, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. Como vamos fechar o balanço se as receitas e despesas só serão lançadas para o ano que vem?”, reclama Marília Campos.

Em dura crítica, Marília Campos questionou a eficiência das medidas anunciadas pelos governos do estado e federal. “Vamos ter um efeito em cadeia. Se os municípios passam a enfrentar dificuldades na quitação de seus compromissos, logo isso se transfere ao mercado consumidor e, em seguida, à indústria e ao comércio”, assinala, considerando que em janeiro de 2009, o desaquecimento da economia aparecerá sobre a arrecadação de tributos.

Entenda a composição do FPM, do Fundeb e os repasses do ICMS aos municípios


• O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é uma transferência constitucional composta de 23,5% da arrecadação do bolo tributário formado pelo Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A distribuição dos recursos aos municípios é feita segundo o número de habitantes. Dos 853 municípios mineiros – 494 (57,9%)têm receita praticamente limitada a essa transferência.

• O Fundeb é constituído por 20% de uma cesta de impostos e transferências constitucionais de estados e municípios e de uma parcela de complementação da União. Atende os alunos da educação básica (infantil, fundamental, média, de jovens e adultos e especial) com investimentos públicos anuais de mais de R$ 45 bilhões, a partir do quarto ano do programa. A previsão de vigência do fundo é de 14 anos (2006 a 2019). Entre os impostos que compõem a cesta do Fundeb estão o FPM e o ICMS.

• Um quarto do ICMS arrecadado no estado é transferido de sete em sete dias aos municípios.

 

Bertha Maakaroun - Estado de Minas
Foto: Marcos Michellin/EM/D.A Press
 

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