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Dia 22 de Março – Dia Mundial da Água

(Jornal da Cidade - Sandra Luz de Almeida* - Inserida em 22/03/2006 - (10h30)

  O Dia 22 de Março foi declarado o Dia Mundial das Águas através da resolução A/RES/47/193 de 22 de fevereiro de 1993, na Assembléia Geral das Nações Unidas, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (sobre recursos hídricos) da Agenda 21. No Brasil, através da Lei n.º 10.670, de 14 de maio de 2003, o Congresso Nacional Brasileiro instituiu o Dia Nacional da Água na mesma data.
Na região Sul Mineira a população ainda não está conscientizada dos riscos da contaminação da água pelos “lixões”. A exemplo do que vem acontecendo na região, o jornal de Inconfidentes divulgou no final do ano de 2005 a matéria de Valmei Bueno “Caos no lixão”, que esclarece sobre a atual posição da FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente) em sua Deliberação Normativa do Copam Nº 52, de dezembro de 2001, que dá um ponto final à prática dos lixões em Minas Gerais. O prazo limite para regularizar a situação das Prefeituras Municipais junto ao Copam foi até o dia 30 de outubro de 2005. Vários seminários foram realizados pela fundação para orientar as prefeituras sobre a correta destinação do lixo coletado nas cidades do Estado de Minas. Dos 790 municípios mineiros, 256 ainda não apresentaram a FEAM relatório técnico com fotos comprovando o fim dos lixões. Em todo o estado de Minas Gerais existem apenas 13 aterros sanitários e 55 usinas de triagem e compostagem do lixo doméstico. Em Inconfidentes e Ouro Fino o lixo é depositado em áreas próximas a nascentes, o que pode causar a contaminação das águas. No caso de Inconfidentes a situação ainda é pior, pois no “lixão” foram despejados 152 tambores com material químico em fevereiro de 2004. As nascentes localizadas no bairro Pinhalzinho dos Góes formam uma lagoa entre o lixo, que escorre para o Rio Pitanga, de onde a Copasa faz a captação para o abastecimento de água do município de Inconfidentes. A prefeitura municipal de Inconfidentes apresentou três projetos à Fundação Estadual do Meio Ambiente de possíveis áreas onde poderia funcionar o novo aterro sanitário, mas nenhum deles foi aprovado. O critério para avaliação foi a Deliberação Normativa nº 52 do Conselho de Política Ambiental que, dentre outros itens, pede que a área esteja distante a 300 metros dos cursos de água.
Para Valmei Bueno, o episodio é bom sinal, porque indica que o município é tão rico em nascentes que, seguramente, nenhum lugar servirá para o novo lixão. A própria natureza, juntamente com a comunidade mobilizada, está assegurando que as leis ambientais sejam cumpridas, pois, “a população está bebendo do próprio veneno”.
Em Ouro Fino a situação também é preocupante, pois segundo matéria veiculada no site Ouro Fino Online a Prefeitura Municipal de Ouro Fino está laborando um projeto para a construção de um aterro sanitário, às margens da rodovia MG-290, na altura do Km 56, em frente ao Núcleo de Assistência a Infância e Adolescência de Ouro Fino – NAIAOF, local que também possui várias nascentes. Como a nossa região é tão rica em nascentes, fica difícil encontrar um local adequado às exigências do Conselho de Política Ambiental, que exige um local com solo ou rocha de baixa permeabilidade, com declividade inferior a 30%, boas condições de acesso, a uma distância mínima de 300 metros de cursos d’água ou qualquer coleção hídrica e de 500 metros de núcleos populacionais, fora de margens de estradas, de erosões e de áreas de preservação permanente.
Na passagem do Dia Mundial da Água estas questões que envolvem a saúde da população: preservação do meio ambiente, destinação e reciclagem do lixo urbano, proteção e preservação das nascentes de água potável deveriam ser questionadas pelos cidadãos de toda a região Sul Mineira de forma abrangente. A criação de uma usina de reciclagem que atendesse todas as cidades da região seria uma alternativa para reduzir o impacto ambiental e auxiliar na preservação das nossas águas.
A preservação da água e do meio ambiente há muito deixou de ser um modismo, uma bandeira de organizações não governamentais para denunciar crimes e a falta de ações do poder público. Agora trata-se de questão prioritária na preservação da espécie humana no planeta.

*Fundadora da Sociedade Protetora dos Animais e
Meio Ambiente de Ouro Fino - SOPAMA

 

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