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idoso com provável
problema cardíaco; fato que ocasionou o seu falecimento três dias
após na cidade de Campinas.
Para a devida apuração do ocorrido, a reportagem do Jornal da Cidade
esteve com os familiares do falecido e tomou a versão dos fatos.
De acordo com o relato, naquela noite, José Regis havia sentido-se
mal e fora encaminhado pela família ao Pronto Atendimento Municipal,
já que as tentativas de conseguir um médico particular que pudesse
atendê-lo haviam terminado sem sucesso.
Primeiramente a família ligou para Pronto Atendimento com intuito de
informar-se da existência de um médico plantonista para examiná-lo,
tendo que sim, questionaram então ao atendente se havia fila de
espera para o atendimento; foi então que receberam a resposta de que
haviam doze pessoas aguardando para serem atendidas. Por se tratar
de um caso sério, a família alegou, - que não podia se dar por
vencidos apenas pela fila, já que à um caso assim geralmente se é
dado preferência para que seja realizado o atendimento médico.
Alguns minutos depois estavam dando entrada ao paciente no
ambulatório; e verificaram que na verdade, por estranheza, não havia
uma pessoa sequer na fila de espera.
Iniciado então o atendimento, não terminaram as preocupações; pois,
de acordo com os familiares o procedimento não lhes foi a contento,
segundo eles, os sintomas apresentados pelo senhor José Regis foi
diagnosticado como dor na região do estômago, o que para os
familiares aparentava tratar-se de algo pior.
Deu-se então, no local, o tratamento à um problema estomacal;
sendo-lhe aplicado remédios e analgésicos por via venal, o que
acabou ainda agravando ao fato; por ser de ação do analgésico a
desperpção de uma dor que serviria de alarme a um posterior
agravamento do quadro.
Apesar de haver a insistência da família pela realização de um
eletrocardiograma, a médica, em primeiro instante, alegou que não
havia a necessidade de tal exame, sendo que seria tratada
primeiramente a suposta dor de estômago e que se houvesse a
necessidade, trataria então de realizar o eletro. Sendo que
geralmente de acordo com os padrões médicos; deve-se que seja feito
primeiramente um exame dos possíveis quadros de maior gravidade,
para que depois, já descartadas as hipóteses de um mal pior, se
inicie o tratamento aos sintomas secundários; coisa que foi
desconsiderada pela profissional. |
Foi então que tomados
pelo espírito de urgência, ligaram para o neto de José Regis, que
também exerce a Medicina na cidade de Pouso Alegre, para que ele
fizesse um apelo por telefone a sua colega de profissão de Ouro Fino
para que fosse feito o eletrocardiograma em seu avô. Foi então que
ao cientizar-se de que havia um chamado para a ela, por via de um
funcionário; negou a atendê-lo pois disse que tinha de realizar ao
tão clamado exame.
Ao ser realizado o eletro, a família então foi confortada pela
médica dizendo que não fora constatado nenhum problema relacionado
ao coração do paciente. Sendo que após exames realizados na cidade
de Campinas, detectou-se que a essa altura José Regis já estaria com
várias horas de profundo enfarto do miocárdio, ou seja, nada foi
constatado pelo exame que deveria apontar a urgente necessidade de
uma internação com o devido tratamento emergencial.
Então, ainda descontentes com o atendimento realizado, os familiares
decidiram encaminhar o paciente à Santa Casa de Ouro Fino, para que
lá fosse tentada a realização de um atendimento através de seu plano
de saúde por um cardiologista especializado.
Mesmo assim não foi conseguida a devida assistência médica, pois de
acordo com uma atendente; já haviam sido realizadas as tentativas de
se conseguir um médico, e que ela não dispunha de autorização para a
efetuação de outros pedidos. Apesar da utilização de todas as formas
possíveis para o obtenção de um médico pela família, inclusive
particulares; nada foi conseguido na noite de Sábado, dia 21.
Dado então pela afirmação de José Regis, de que não estava mais
sentido a muita dor; a família acatou ao seu pedido de retornar para
casa. Sendo que ele não consegui dormir naquela noite, pois
queixava-se da dor após ter passado o efeito do analgésico que lhe
fora antes medicado no Pronto Atendimento, acabando por ficar mais
horas e horas enfartado em sua casa sem sequer saber de seu estado e
absolutamente sem a devida medicação; coisa que seria imprescindível
para que o pior ocorrido pudesse ter sido evitado.
Ao ser encaminhado novamente à Santa Casa pela manhã do dia
seguinte, foi que conseguiu-se, não só o devido como mínimo
tratamento; detectando na mesma hora um profundo enfarte de grandes
proporções e já em infeliz estado irreversível, pelo médico que
então o atendera.
Detectado então o grave enfarte, imediatamente foi lhe dada a devida
medicação e encaminharam-no para a semi-UTI do hospital municipal.
Em seguida através das devidas medidas; José |
fosse o caso, havia de
se aguardar que o tratamento conseguisse fazê-lo resistir por uma
semana; pois seu quadro não dispunha da possibilidade de uma
intervenção imediata.
Infelizmente as otimistas expectativas médicas acabaram por não se
concluir, porque devido ao atraso ocorrido na obtenção do devido
tratamento; já não se podia intervir de maneira médica nenhuma, e
então infelizmente, o senhor José Regis veio a falecer nas
dependências do Hospital Samaritano de Campinas, no dia 24 de
outubro.
Ainda sendo que após a transferência de José Regis para Campinas,
seu neto tentou obter os documentos de seu avô que integravam ao seu
atendimento em Ouro Fino, como uma cópia de seu eletrocardiograma e
seu registro de prontuário no Pronto Atendimento Municipal, mas
ambos não foram encontrados.
Após um certo tempo e o registro de uma queixa na Delegacia, quanto
ao desaparecimento dos documentos, foi encontrada a cópia de seu
exame de eletrocardiograma que havia sido realizado no Pronto
Atendimento Municipal; já em situação de lixo, pois fora encontrado
como uma bolinha de papel, todo amassado. Ficando agora à cargo da
perícia a constatação de sua veracidade. E faltando ainda a ciência
do paradeiro de seu prontuário, tido como desaparecido até a tomada
destas informações por nossa reportagem.
Ficando agora os fatos à cargo de um sindicância que fora instaurada
para a apuração dos fatos e motivos que levaram ao acontecimento
presente, para que as razões pelas quais; nada fora constatado no
primeiro exame e o desaparecimento do documento possam ser apurados
e casos como esses não tornem mais a acontecer em Ouro Fino.
A reportagem do Jornal da Cidade, apurou que no setor de Cardiologia
existe apenas um profissional para o atendimento. Segundo as fontes,
recentemente um currículo de um médico cardiologista esteve para
análise do Corpo Clínico da Santa Casa, currículo este vetado pelo
próprio profissional atendente.
No último final semana mais um caso semelhante foi registrado no
Pronto Atendimento, um paciente chegou ao local com fortes dores no
peito. De acordo com os procedimentos; o médico cardiologista
atendente foi requerido, mas sem sucesso, pois o mesmo não fora
encontrado na cidade. O paciente foi rapidamente transferido para a
cidade de Pouso Alegre e, felizmente, passa bem.
As informações são de que após esse outro episódio o Corpo Clínico
da Santa Casa está admitindo novo cardiologista para atuar em seu
quadro funcional. |