Professores Municipais param por melhores salários

Reunidos em frente a prefeitura e de faixas em punho protestaram em passeata pelo centro da cidade

(Jornal da Cidade - Inserida em 20/07/2011 - 23:10)

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Em frente à Prefeitura professores portando faixas reivindicam por reajuste salarial

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Em passeata percorreram as principais ruas do centro

Professores da rede municipal de Ouro Fino interromperam as atividades nesta quinta-feira (14) para reivindicar aumento de salário.

Eles reivindicam um aumento de 15,85% sobre o atual piso salarial que é de R$ 771,32 mensais.

O movimento deflagrado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ouro Fino, contou com a adesão total dos professores que paralisaram as aulas nesta quinta-feira em sinal de protesto.

De acordo com a presidente, Silvana Santos Monteiro de Oliveira, o Sindicato vem negociando com a prefeitura desde janeiro desde ano e sem sucesso nas reivindicações decidiram pelo movimento.

Segundo Silvana, o percentual de reajuste salarial proposto pelo Sindicato foi calculado dentro da média de aumento do piso salarial nacional que atualmente é de R$ 1.187,00.

“O que estamos reivindicando é um piso salarial para os professores de R$ 892,00 e para esse aumento a prefeitura tem condições se utilizar todo o recurso do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais de Educação - FUNDEB, repassados pelo governo federal e estadual”, explica a presidente do sindicato, Silvana.

O presidente do Conselho Municipal do FUNDEB de Ouro Fino, o prof. Edy Luiz da Silva, salienta que a administração municipal pode utilizar até 99,9% dos repasses dos recursos para aplicar nos professores.

“Atualmente a prefeitura vem utilizando somente os 60%, que são os obrigatórios, com os gastos com a Educação, portanto havendo ai uma sobra de mais de 39% que poderiam por lei ser destinados à remuneração dos professores”, explica Edy, presidente do Conselho, que periodicamente se reúnem para acompanhar onde e como a prefeitura destina os recursos do FUNDEB.

Tati Buralli, professora da prefeitura há 20 anos, indignada disse à reportagem do JC que: “os professores sempre trabalharam direitinho, cumprindo suas metas, não faltando às aulas e sempre tratando com carinho nossas crianças. Portanto, o que queremos é que a administração municipal tivesse mais consideração e nos paga-se um salário justo. Há muito tempo que temos um reajuste sequer”, disse a professora salientando a reportagem que em todo esse tempo que está na prefeitura nunca viu uma administração com um descaso tão grande com a Educação do município.

“Nós queremos lembrar a todos, que o médico, o advogado, o empresário entre outros que hoje são bem remunerados em suas profissões tiveram um dia que passar pelas mãos e pelos ensinamentos de um professor”, conclui Tati.

Os professores se concentram em frente ao prédio da Prefeitura por volta das 9h e seguiram em passeata pelas principais ruas da cidade retornando para frente do paço municipal, por onde permaneceram toda a manhã portando faixas de reivindicação.

Nota da Redação:

Mais do que justa a manifestação dos professores municipais que não chegam a receber a quantia de uma vez e meia do salário mínimo vigente no país. Os recursos existem e falta boa vontade da administração municipal em aplica-lo.

Os gastos da verba do FUNDEB em Ouro Fino, nesta administração, já foram alvos de denúncia na Câmara no dia 2 de agosto de 2009, durante a realização da 11ª sessão ordinária da Câmara Municipal. A denúncia resultou na abertura de uma CPI na Câmara que não prosperou por questões técnicas e jurídicas. O presidente da Câmara à época era o vereador Sérgio Favilla.

A denúncia de irregularidades na aplicação dos repasses do Fundeb para o município ganhou a atenção do Ministério Público que passou a atuar no caso. Foi aberto inquérito policial e a Polícia Civil de Pouso Alegre ficou encarregada de ouvir os envolvidos. Os depoimentos foram todos tomados e o processo continua aguardando a sentença da Justiça.

Por sua vez a prefeitura criou uma comissão interna de sindicância para apurar os fatos e afastou do cargo quatro funcionárias municipais: Angélica Benedita de Cássia Alves Goulart - Secretaria de Educação - Andréia Claudino Germiniani - coordenadora de recursos humanos -; Juliana Germiniani - coordenadora da creche Santo Antônio e Marisa Vieira Almeida - professora municipal. Após a conclusão da sindicância a Secretária de Educação, a coordenadora de Recursos Humanos, a coordenadora da creche e a Chefe de Educação Dulce Mara Pucci de Miranda Melaga, todas ocupantes de cargos de confiança foram exoneradas.

O resultado da sindicância interna da prefeitura até hoje nunca foi divulgado.

Lamentavelmente vivemos a era do esclarecido mais nada resolvido. Acham-se os erros mais não se conhecem os culpados. 

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